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Sobre o debate na Rede TV entre Crivella e Freixo

Depois de muita insistência houve o esperado debate do 2º turno das eleições municipais do Rio de Janeiro entre Marcelo Crivella e Marcelo Freixo dia 18/10/2016. O fato mais atrativo numa análise mais breve é que Crivella tomou uma surra (racional) de Freixo e demonstrou bastante medo durante todo debate principalmente no primeiro bloco, mas vamos aos poréns que fazem dessa uma análise precipitada:

Crivella entendeu a surra que estava levando ou foi preparado para levá-la já que nenhuma novidade fora apresentada e decidiu explorar o papel de vítima ao se abraçar na defesa do que é consenso na opinião pública (Mensalão e Petrolão) e no que os evangélicos exploram no seu cotidiano que é a lei da prosperidade de maneira muito competente demandando solidariedade dos que rejeitam Freixo e dos que ainda estavam em dúvida se votariam no senador. Por sua vez, Freixo percebeu que os ataques estavam entrando e, com seu adversário acuado, decidiu ser mais implacável demonstrando orgulho a cada ataque seu defendido evasivamente pelo seu adversário.

 

Alguém já disse isso “O orgulho cega. A humildade reconhece”?

Ao abraçar esta falsa verdade passou a sofrer com o que era desnecessário como a ansiedade (um pouco menos que o último debate), porque acreditava que seus ataques estavam surtindo efeito, mas que não tinha muito tempo para virar o jogo. Deixou de se concentrar na batalha que tanto pediu, o debate.

Como sempre a esquerda peca pelo racionalismo e o orgulho. Acontece em toda parte, por serem as propostas melhores sob o aspecto racional (o que conquista os de maior escolaridade) negligenciam a necessidade de conquistar o coração do povo (menor escolaridade).

 

Não tenho o tracking do debate, mas arrisco:

  • Crivella não perdeu seus votos, pelo contrário, cristalizou-os pela emoção e talvez tenha conquistado alguns eleitores que se abstiveram no primeiro turno pela moda cada vez mais popular da repulsa ao racionalismo. Por isto apostaria até num aumento de rejeição de Freixo o que traduz um resultado positivo numa estratégia de polarização ideal, quando viável, para segundo turno. As pessoas, ainda mais neste cenário político atual de descrença com a política como um todo, quando escolhem, tendem a escolher por exclusão.
  • Freixo conquistou alguns votos de maior escolaridade, talvez de jovens e algum eleitor que se absteve no primeiro turno, mas não acredito que esta era a audiência deste debate o que inviabiliza uma mudança no cenário favorável ao deputado.

É fato que este debate produziu bastante material que pode ser explorado daqui pra frente nestas eleições, a conferir.

A intensidade da surra que o Freixo acredita ter dado em Crivella é um demonstrativo do saldo favorável ao senador deste debate.

 

Sobre Juliano Sebastian

Consultor político, graduado em Comunicação Social e pós-graduado em História e Ciências Sociais. Gosto muito de samba, NFL, futebol, tecnologia e artes.