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Segmentação comum ao marketing político e eleitoral

As eleições municipais deste ano consolidaram uma tendência já observada nas eleições anteriores; a importância da segmentação das ações eleitorais. O que antes era tratado como uma massa de eleitores de um determinado município ou bairro atualmente está sendo segmentado também por áreas de interesses como meio ambiente, educação, trabalho e renda, esporte entre muitos outros, além dos mais tradicionais filtros de segmentação como profissão, religião, idade, renda, escolaridade etc.

Esta é uma tendência esperada há muito tempo nas campanhas políticas inserindo de uma vez as técnicas de marketing político e eleitoral. Além da própria ciência que envolve o marketing, também é possível referenciar teoricamente este movimento de segmentação por muitos estudiosos do comportamento da sociedade moderna, entre eles Edgar Morin no seu “pensamento complexo”. O filósofo francês entende que mesmo diante de um todo indissociável, população, a maneira mais adequada de abordagem para a construção do conhecimento é multirreferenciada e multidisciplinar.

Uma população será sempre o conjunto de pessoas diferentes, e por isso, indissociáveis. E são justamente estas diferenças que tornam as pessoas acessíveis ao conhecimento estabelecendo um critério de ordem e certeza neste ambiente tão diverso e complexo, “uma possível ordem na desordem”. A ação mais adequada, a palavra apropriada, o momento ideal, nas campanhas profissionais as ferramentas de mensuração dos anseios dos diversos grupos formados por um determinado universo eleitoral tornam-se comuns a cada eleição que se passa.

Naturalmente estes são os paradigmas que norteiam as teorias mais básicas do que se transformou há poucas décadas uma ciência, o marketing. Pelas diversas as definições de marketing é seguro se fazer um panorama através de um dos seus teóricos mais expoente, P. Kotler. Para ele o marketing é “um processo social por meio do qual as pessoas e grupos destas obtêm aquilo que necessitam e desejam como a criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor com os outros” e ainda simplesmente a “arte de conquistar e manter clientes e desenvolver relacionamentos lucrativos com eles”. A American Marketing Association permanentemente revisa a conceituação de marketing. A mais atual é a de 2007 que diz: “Marketing é a atividade, conjunto de instituições e processos para criar, comunicar, distribuir e efetuar a troca de ofertas que tenham valor para consumidores, clientes, parceiros e a sociedade como um todo”.

Estabelecer uma relação entre a “nova ciência” e os seus desdobramentos ou ramificações é natural. O Marketing Político e o Marketing Eleitoral estão se consolidando nas atividades políticas pelos seus resultados. O Marketing Político é tratado pelo professor Manhanelli como uma missão natural do político mandatário, pois toda sua atividade é de representatividade. Quando o Marketing Eleitoral é um trabalho mais pontual, com foco nas oportunidades para se obter um resultado no dia da eleição.

Os processos políticos que envolvem tanto no Marketing Político quanto no Marketing Eleitoral exigem cada vez mais as segmentações das ações são praticadas pelo aumento da sua eficácia. No meio político o que é da matriz teórica do marketing sofre resistências comuns. Resistência de conservadorismo à sensação de perda de controle do processo como um todo, descentralização de informações por demanda de viabilidade de gestão.

Mesmo neste cenário de resistência ao novo os grupos políticos se rendem a cada processo eleitoral e político aos métodos do marketing. As campanhas eleitorais são vistas divididas por coordenações políticas e administrativas, setores, temas etc. Cada ação não é mais uma concepção individual ou sem referenciais, mas caminhos a serem escolhidos subsidiados e com seus respectivos riscos calculados.

Sobre Juliano Sebastian

Consultor político, graduado em Comunicação Social e pós-graduado em História e Ciências Sociais. Gosto muito de samba, NFL, futebol, tecnologia e artes.