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Análise Propaganda Partidária Gratuita (PPG) DEM – Junho/2013

O Democrastas finalmente encontrou coragem para assumir um discurso objetivo e coerente mesmo com as perdas e ganhos que podem vir naturalmente neste ajuste. Após sofrer grande impacto em sua densidade com a criação do PSD, o DEM parece ter decidido assumir o discurso que sempre foi sua raiz, mas nunca assumido, o liberalismo radical.

Redução do Estado, aumento da competitividade internacional, investimento em infraestrutura, incentivo à livre iniciativa e o empreendedorismo formam o núcleo central da plataforma ideológica do partido. Não serão temas comuns, mas a tábua de salvação do país. Este reposicionamento chega tardio, mas melhor do que nunca. O partido que tem sua origem e trajetória de frente governista, estava sem posição desde que se tornou oposição com a vitória do PT em 2002.

Em meio à coragem, ainda sim, há deslizes técnicos fundamentais que não se justificam. O início do programa apresenta um tripé: imposto alto, burocracia e violência. O destino do programa parecia bem definido, mas foi apenas uma perda de tempo porque não era bem aquilo que o programa iria tratar. Por exemplo, violência sequer volta ao programa. Imposto alto e burocracia são subtemas naturais de quem vai radicalizar o discurso liberal para se opor ao adversário que fortalece cada vez mais o Estado.

Assim, parece que o DEM foi tomando coragem no decorrer do programa. Lembrou sua história de parceria na criação do Plano Real e combate a inflação quando era da base aliada dos governos Itamar e FHC. E de fato, estão tentando transformar o tomate num símbolo da inflação. É piegas a tentativa, mas toda repetição ajuda na construção da mensagem, e neste caso, do símbolo.

Vale destacar a orquestração entre DEM e PSDB em sequência uniforme de pancadas no governo federal: inflação e infraestrutura. Mesmo sem terem um histórico mais arrojado no investimento em infraestrutura e pagarem um preço questionável para manterem a inflação sobre controle em conjunto com FEBRABAN, FIESP, ruralistas, BM e FMI, PSDB e DEM entendem que são bons temas. Com estas pautas, um partido busca a massa de eleitores através da difusão da cultura do medo enquanto outro partido mantém a parceria de outros tempos que o privado governou junto com o público em outra concepção de gestão de um Estado menos e mais liberal.

A sessão de ataques ao governo federal foi larga, eficiente até extrapolar o necessário. Números, depoimentos e imagens combinados se transformam em milagres proporcionados pela tecnologia que consegue levar emoção e verdade de forma universal. Mas a contradição é justamente esta, a adesão que o DEM busca não é a de quem não tem água em casa ou dos que estão privados de Direitos mais fundamentais, mas dos empresários e empreendedores que como Caiado diz “é quem realmente trabalha e produz neste país”.

Outro ponto que pareceu claro é que alguns no DEM falam o que querem. Se não bastassem os problemas do partido e do programa como um todo, ACM Neto pareceu querer fazer um programa particular e desarticulado com o todo. Falou sobre tudo e não comunicou nada. João Alves fez um pouco diferente falou sobre poucos pontos e comunicou bem se articulando com o programa.

O que fica claro a partir deste programa é que a posição a ser conquistada pelo Democratas é a de um partido estratégico do bloco de oposição e que vai defender os interesses liberais e privados. Como o PSDB precisa disputar as massas, assuntos polêmicos e desgastantes como universalização de Direitos, privatizações e gastos sociais podem ser absorvidos pelo DEM sem comprometer a imagem dos tucanos. O DEM mostra que está com coragem para reagir as seguidas derrotas eleitorais.

Sobre Juliano Sebastian

Consultor político, graduado em Comunicação Social e pós-graduado em História e Ciências Sociais. Gosto muito de samba, NFL, futebol, tecnologia e artes.