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Preferência partidária e eleições 2014

O DataFolha publicou em fevereiro de 2014 a primeira pesquisa do ano que avalia o governo Dilma, sentimento dos brasileiros sobre alguns assuntos e intenção de votos. Nossa abordagem aqui será sobre como pensam os brasileiros que tem preferência partidária sobre a avaliação do governo e intenção de votos.

De quem tem preferência partidária pelo PT, 33% acham o governo Dilma regular e ruim ou péssimo.

Como diversos estudos já trabalharam o assunto, a preferência partidária não determina a decisão final do eleitor. Nestes estudos o máximo que se conseguiu chegar foi que a preferência partidária é um atalho informacional que atua como um dos principais vetores de decisão do voto.

Gosto muito de olhar a parte das pesquisas que medem o comportamento de quem tem preferência partidária. O conjunto de fatores que levam as pessoas a apontarem uma preferência partidária é matéria de muito interesse da comunicação política. Os programas partidários, as campanhas passadas, o exercício de poder, espaço nos meios de comunicação de massa, uso das redes sociais etc. Isto tudo gera a preferência partidária, mas qual o potencial para a decisão do voto desta preferência partidária?

Sendo um atalho, considero meio caminho andado e falta agora aproveitar esta posição. Mesmo após as ondas de manifestações, crise do sistema político que vai da representatividade ao accountability e as práticas morais e éticas de quem está no poder, o Brasil é um dos países com maior taxa de preferência partidária. Segundo a última pesquisa DataFolha a preferência a algum partido chega a 34%.

Este número poderia ser ainda maior se Marina e a Rede conseguissem seu registro. A sequência de derrotas do bloco de oposição liderado pelo PSDB para o PT e seus aliados tem contribuído bastante com a crescente perda de preferência partidária dos partidos de oposição. Vale lembrar que muitos acreditam que a preferência partidária reforça a democracia como sistema de governo.

Apenas 34% do eleitorado brasileiro tem preferência partidária. O PT tem larga vantagem sobre os demais com 18% do eleitorado, PSDB tem 5%, PMDB 3% e PV, PDT e PSB com 1%. PTB, PSOL, DEM, PSD, PP e PRTB foram bem citados, mas não chegaram a somar 1%.

Preferência partidária no Brasil

Preliminares a partir da preferência partidária

A análise da preferência partidária mostra que Aécio e Dilma tem o rumo das suas campanhas definidos e antagônicos. Quem tem simpatia pelo PSDB tem ampla rejeição ao governo Dilma e maiores intenções de voto em Aécio. Quem tem preferência partidária pelo PT é ampla maioria de quem aprova o governo Dilma e votaria na presidente para reeleição.

Mas ainda há um trabalho a ser feito aqui. O bloco de quem tem preferência partidária pelo PT ainda não está unificado em intenção de votos em Dilma. Há uma dispersão significativa entre Aécio e Campos. Isto aponta para um crescimento natural de Campos, pois Aécio necessariamente fará campanha de oposição ao PT o que já pode não ser o caso do socialista.

Aqui a pesquisa já mostra uma tendência irreversível caso Campos consiga conduzir bem esta transição destes eleitores e neste meio tempo ainda é possível o PT resgatar estes eleitores que por algum motivo não estão satisfeitos com Dilma ou tem maior confiança e simpatia por seus adversários.

Já Eduardo Campos pode seguir qualquer um dos caminhos tanto de oposição quanto de situação disputando a liderança do projeto em curso que ajudou a conduzir ao poder. E numa opção mais ousada pode seguir os dois caminhos com Marina seguindo o seu caminho de oposição e Campos disputando o campo político com Dilma. Acho difícil escolher o mesmo caminho de Aécio, da oposição completa.

Preferência partidária e intenção de votos por candidato

Preferência partidária e intenção de votos

Dilma – dos eleitores da presidente 32% são simpáticos ao PT, 3% PMDB, 2% PSDB e 1% PDT, PV e PSB. Referências, personalidades e outros partidos formam outros 4%. Quem não tem preferência partidária alguma soma 57% de quem votaria na reeleição da presidente.

Aécio Neves – dos eleitores do senador tucano 16% são de simpatizantes do PSDB, 8% do PT, 6% PMDB, 2% PDT e PV e 1% do DEM, PSB, PSD. Referências, personalidades e outros partidos formam outros 3% e quem não tem preferência partidária alguma são 61%. Atenção aos números dos partidos da base governista, 9% de quem tem preferência partidária.

Eduardo Campos – dos eleitores do governador de Pernambuco do PSB 7% são simpatizantes do PMDB, 6% PT, 6% PSDB, 2% PSB, 1% PV, PSOL e PDT. Referências, personalidades e outros partidos formam outros 6% e quem não tem qualquer preferência são 69%.

A tese que já defendi aqui é que Eduardo Campos disputa a liderança do campo político com Dilma, aqui encontramos 16% de quem tem preferência partidária nos partidos que compuseram até o ano passado a base do governo Lula e Dilma. Sem podermos contabilizar os 6% dispersos em outros partidos e personalidades. Além da disputa de campo, Eduardo Campos pode ainda fazer a opção pela oposição por ser quem mais aglutina os apartidários e simpatizantes do PSDB, PV e PSOL.

Dever de casa pendente: avaliação do governo e preferência partidária

De quem tem preferência partidária pelo PT, 33% acham o governo Dilma regular e ruim ou péssimo. Já 22% dos que possuem preferência pelo PSDB acham o governo Dilma ótimo e 74% dos que preferem o PMDB acham o governo regular e ruim ou péssimo. Outros 9% do bloco aliado ao governo votaria em branco contra 2% do PSDB e 1% de Campos.

Avaliação governo Dilma por preferência partidária

Sobre Juliano Sebastian

Consultor político, graduado em Comunicação Social e pós-graduado em História e Ciências Sociais. Gosto muito de samba, NFL, futebol, tecnologia e artes.