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Análise da Propaganda Partidária Gratuita (PPG) PSDB – Setembro/2013

Partido da Social Democracia Brasileira

Presidente – Aécio Neves

Estatuto do Partido

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Conversa com Brasileiros

Portal Social do Brasil

Duração do PPG: 10 minutos

Dia: 19 de setembro de 2013

Funções do PPG

Predomina a função de pré-campanha eleitoral com Aécio conduzindo todo programa com ênfase no partido através de debates temáticos com ataques indiretos a presidente e o seu partido. Mandatos/mandatários foram utilizados em menor escala como suporte aos debates temáticos.

Funções básicas do PPG

[1] ênfases no partido; [2] debate de temática específica; [3] ênfase em mandatos/mandatários; [4] ataque; e [5] pré-campanha eleitoral.

É sem dúvida mais uma bela peça publicitária do ponto de vista estético. Mas com problemas técnicos de montagem, roteiro e narrativa. Outros problemas surgem quando aprofundamos a análise quanto aos objetivos deste Programa Propaganda Gratuita (PPG) do PSDB, o segundo com o senador Aécio Neves à frente como presidente nacional do partido.

Praticamente todas as funções de PPG são utilizadas neste programa, uma abordagem arrojada e compreensível de quem tem muito trabalho a fazer e pouco tempo diante da proximidade das eleições presidenciais.

Cenário

O PSDB se isolou na oposição nas últimas três eleições defendendo um projeto político antagônico ao vigente desde que o PT chegou ao poder. Mas na última eleição o partido se viu ameaçado, a ex-ministra Marina Silva em pouco tempo se articulou e saiu das eleições 2010 como a derrota eleitoral e uma acachapante vitória política. Isto sinalizou aos outros partidos políticos que há um espaço para a disputa política através da discussão moral dentro ou fora do projeto político vigente. Assim a hegemonia do PSDB na oposição também ficou ameaçada a partir de então.

Bases argumentativas do PPG

A partir dos desafios econômicos vividos pelo Brasil como crescimento e a ameaça do descontrole da inflação, o PSDB constrói o alicerce do seu discurso de combate ao projeto vigente do PT. A ineficiência do PT em apresentar soluções progressistas para o crescimento econômico do Brasil é contraposta pela história de sucesso dos tucanos que venceram a inflação com o Plano Real, uma solução progressista que era preciso naquela época assim como nesta.

Mesmo tendo investido pouco neste tema (economia) ao longo de sua trajetória na oposição, é um ponto de partida inteligente que tem realmente uma importância capaz de subsidiar toda uma linha estratégica. Mudou a figura que representa o poder, mas o que se viu nestes dois PPGs que Aécio liderou foram os erros de sempre, a tentativa de impor uma realidade através dos meios de comunicação de massa. Nenhuma pesquisa ou índice aponta insatisfação dos brasileiros com a economia ao ponto de se cogitar uma mudança política que intervenha neste cenário.

Descontinuidade de Marketing Político

Em 2010, José Serra gastou apenas 4% do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) com o tema economia.

Pela repetição dos erros, o PSDB está se caracterizando por um comportamento partidário esquizofrênico, pautado numa realidade criada de dentro para fora numa realidade que busca se impor através dos seus parceiros que, por sua vez, estão exauridos por sustentarem tanto tempo esse projeto. É fato que os parceiros, antes monopolizados pelo projeto do PSDB, atualmente já investem em outras frentes alternativas ao PT.

A partir destas bases, o PSDB neste programa investe em linhas argumentativas que atacam um conservadorismo econômico, um populismo nos programas sociais e a incapacidade de gestão para os grandes projetos que travam o desenvolvimento do país. Tudo em busca da construção e consolidação de um cenário de fragilidades do PT que contraste com seus pontos fortes. E tentam desconstruir o que foram seus pontos fracos em outras eleições a partir do enfrentamento e adiantamento do embate de temas como: ensino técnico, programas sociais, elitismo democrático entre outros.

PPG

O programa começa sob o título de “Conversa com Brasileiros”. O Brasil está numa encruzilhada e que os brasileiros precisam fazer uma escolha que não comprometa o seu futuro. Até agora foi suportável a forma de administrar o país, mas chegou o fim da linha e há um grande risco na escolha da permanência da política como está.

Além da base argumentativa ter seus problemas já apontados, a estratégia do medo é altamente desaconselhável para qualquer oposição, ainda mais enfrentando um governo de alta aprovação com exceções em períodos de crises políticas onde que a origem não se dá pela prática exclusiva do governo, mas do esgotamento da tolerância da população com a política em geral, práticas generalizadas de todos os políticos como o caixa dois do Mensalão e agora as ondas de manifestações por todo país com as mais diversas pautas de indignações do trato com a coisa pública.

A dita mudança de gestão partidária através do “Conversando com Brasileiros” esbarra no b-a-ba da construção da opinião pública contemporânea onde as redes precisam ser animadas para o discurso ganhar veracidade. O tempo de formação de opinião a partir dos meios de comunicação de massa mudou. A opinião se dá após diversos estímulos e atualmente por diversos meios e/ou atores.

Sem dúvidas, as melhores escolhas do PPG foram dos personagens que se encaixaram perfeitamente na história que precisava ser contada. Carisma, história de cada um e cenário legitimaram não apenas os personagens, mas o discurso. A linguagem jornalística traz dinamismo aos PPGs e, a este especificamente, uma linguagem que foi capaz de traduzir a mensagem de que o Brasil está contemplado integralmente no programa. A direção pecou ao permitir que fossem ao ar comentários de Aécio fora de sintonia.

A pressão provocada pelo volume de etapas que precisam ser cumpridas o mais breve possível pela proximidade das eleições fica evidente no conjunto de erros que aparentemente se dão, não por incapacidade técnica, mas pelo momento e importância do PSDB nas eleições de 2014. A decisão dos tucanos por Aécio foi tardia mesmo assim isto não justifica erros primários nos dois PPGs de Aécio este ano. Na política os tempos são diferentes e um erro pode significar mais do que mil acertos e o tempo para se construir um acerto dura muito mais do que para construir um erro.

A indecisão pela imagem a ser construída de Aécio é evidente. Aécio tem construído atualmente um perfil de líder charme e de gestor. O caminho adequado seria focar e reforçar este perfil principalmente pela emergência no cenário nacional de Eduardo Campos. Em vez disso, o PPG ainda flerta com os perfis de pai e homem simples. Não é preciso fazer aqui a discussão sobre a importância do posicionamento no Marketing Político.

Querendo construir um perfil de homem simples, Aécio queima etapas ao falar com a personagem sobre o preço de alimentos no mercado, como se fizesse compras, e sobre a importância das mulheres na vida cotidiana e na política, com se tivesse algum argumento auxiliar que justificasse tal opinião. Fica apenas um discurso que deveria ser evitado ou cortado na edição do programa.

A ideia arrojada de integrar as funções do PPG através da articulação dos objetivos na narrativa é excelente, mas saiu pela culatra. Assim como o pré-candidato à presidência da república pelo PSDB Aécio Neves discutir os impactos da inflação na ponta com uma dona de casa em seu cotidiano de economia dia a dia no mercado, não tem como o pré-candidato tratar da pobreza enraizada no Ceará tendo seu partido governado o estado por tantos anos.

No centro-oeste Aécio fica mais a vontade, o discurso fica mais ajustado, mais natural. A pauta é real, a fragilidade de gestão do governo federal em grandes obras é fato e encaixa com a autoridade que a atual imagem de Aécio carrega. Ele tem legitimidade para discutir o assunto que é importante e reforça a imagem de gestor. Porém, para cada personagem e assunto, uma tentativa de construção de imagem. Fica evidente que ainda não se definiu o perfil a ser construído com Aécio e as oportunidades que estão se perdendo nestes PPGs. O tempo urge contra o PSDB, os erros e a indefinição agravam ainda mais o desafio dos tucanos e a esperança dos seus parceiros.

Já em São Paulo o programa destaca o desafio que é o crescimento do Brasil e a qualidade de emprego. Entra num ponto fraco dos tucanos que sempre foi muito questionado nas eleições contra o PT: o ensino técnico. Em tempos de FHC, o investimento em ensino técnico ficou estagnado sendo retomado a todo vapor no governo do PT com Lula. Isto foi transformado num símbolo entre os partidos no assunto economia gerando um passivo para o PSDB em todas as eleições. A decisão de enfrentar este assunto a partir dos exemplos das ETECs de São Paulo é inteligente, antecipar este embate e acabar com este histórico é voltar para a briga quando o assunto é educação. Talvez até se tenha uma abordagem para o tema sendo preparada para as eleições.

O ataque às políticas sociais é errado novamente. Atacar as políticas sociais estruturas no governo do PT sem projetar outro modelo é levar instabilidade aos beneficiados e a quem acredita na transformação do país por esta política. Não adianta sugerir nas entrelinhas um estigmatizado populismo. Esta ação só promove desconfiança. Desta forma, o PSDB corre o risco de repetir o desespero no segundo turno das eleições de 2006 quando defendeu a manutenção de todos os programas sociais que vinha atacando. São muitos anos na oposição que deveriam ter sido suficientes para construir uma alternativa. É um erro grave esta abordagem.

Erro da direção do programa que permitiu que fosse ao ar a ultrapassagem errada da van que estava Aécio aos 4:43m, uma infração gravíssima de trânsito.

Sobre Juliano Sebastian

Consultor político, graduado em Comunicação Social e pós-graduado em História e Ciências Sociais. Gosto muito de samba, NFL, futebol, tecnologia e artes.