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Explosões em Boston: democratas x republicanos

Duas explosões aconteceram no dia 15 de abril em Massachussets em plena Maratona de Boston. O evento que acontece desde 1897, é o mais tradicional e antigo da modalidade e acontece sempre no Dia do Patriota, terceira segunda-feira do mês de abril, com celebrar o começo da revolução americana contra o domínio inglês. As explosões foram o estopim para deflagrar a disputa entre democratas e republicanos como veremos mais à frente.

Voltemos aos fatos. Três horas após o vencedor cruzar a linha de chegada, duas bombas explodiram simultaneamente fora das arquibancadas. Um incêndio na biblioteca JFK foi dado como ocasional e sem danos significativos. A maratona reuniu este ano mais de 27 mil atletas, milhares de fãs pelas ruas da cidade e é o evento de maior audiência no EUA perdendo apenas para o Super Bowl.

O evento reúne algumas características frágeis para um ataque terrorista. É no EUA, Dia do Patriota, um longo perímetro (42Km de prova), muitas pessoas reunidas e grande audiência. Em primeira declaração Obama declarou não poder classificar o ato. Comedido, além de evitar medidas como a que levou o EUA a invadir o Iraque sem conseguir qualquer materialidade que justificasse tal ato que foi tão confrontado pelos democratas, Obama também quer sustentar o discurso de que a “rede terrorista” fora desarticulada com sucesso pelo seu governo.

Este discurso da solução do “terrorismo” sempre estará em disputa, pois os republicanos se sustentaram por muitas décadas sempre renovando os inimigos a serem vencidos, construindo uma história de associação à indústria bélica e colocando os militares, inteligência e forças policiais em protagonismo político nacional.

Desde a sua eleição, Obama busca um novo “New Deal” para o EUA e os democratas. Com um discurso claro, objetivo e autêntico de um sistema político que fortalece a proteção dos Direitos Humanos com respeito às minorias acabando com a distinção de raça, promovendo a proteção universal dos cidadãos que conta com o fortalecimento do sistema de saúde público, mudanças na previdência e desarmamento da sociedade. Assim se desenha o confronto ao discurso do medo, do inimigo, da necessidade de proteção da nação e dos lares americanos.

Há muito em jogo neste momento para a política do EUA. Daí o presidente estar sendo afrontado por algumas autoridades envolvidas no caso das explosões em Boston. Num momento em que a política proposta pelos democratas vinha se solidificando e conquistando a sociedade americana, alguns setores e atores políticos transformarem explosões sem padrões terroristas em atentado terrorista parece um ato de desespero de quem perde terreno na política do EUA.

Analisando de longe, não parece terrorismo uma bomba explodir num evento com tanta gente e matar apenas três pessoas. O padrão “terrorista” é o do espetáculo e o número de vítimas fatais é a proporção do espetáculo do “terror”, logo a parte mais complexa de uma operação como esta que seria a logística da produção de uma bomba dentro do EUA. Será que “terroristas” tecnicamente capacitados pecaram apenas no momento da explosão, no local e no tempo entre elas já que explodiram três horas depois que o vencedor cruzou a linha de chegada, longe das arquibancadas ou de grandes aglomerações e outras duas bombas foram desarmadas minutos ou horas depois em outros lugares.

Difícil acreditar no desarme de duas outras bombas “terroristas”, se fosse um ataque terrorista, as bombas seriam detonadas em seguida no aumento da proporção do espetáculo. Qual o impacto deste incêndio? Sequer há uma foto deste incêndio. Certo mesmo são os diferentes discursos, o presidente, responsável pela defesa da soberania nacional pedindo prudência afirmando que todos os protocolos de defesa estão acionados e demais atores envolvidos desafiando a autoridade do presidente definindo a questão sem maiores informações, mas com interesses muito bem definidos.

Aos democratas seria um desastre se um ataque terrorista neste momento fosse confirmado. Aos republicanos é fundamental para a sobrevivência do partido que seja um ataque terrorista, nem que seja preciso transformar em um ataque terrorista e forjar um inimigo, manter vivo seu discurso e financiadores é vital neste momento de crise do partido.

Sobre Juliano Sebastian

Consultor político, graduado em Comunicação Social e pós-graduado em História e Ciências Sociais. Gosto muito de samba, NFL, futebol, tecnologia e artes.