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Eleições Rio de Janeiro 2014 – Rascunho sobre alguns temas

Os desafios da candidatura de Pezão (PMDB) vão além do recall, aprovação do governo e dificuldade de crescimento nas pesquisas. Tendo o senador Lindbergh Farias (PT), hoje o seu maior adversário, o candidato do atual governador Sérgio Cabral (PMDB), Pezão terá que encontrar alternativas de comunicação diferente das atuais.

Construir sua candidatura como bom gestor e realizador de obras acaba beneficiando a candidatura do seu adversário do PT, Lindbergh. Todos sabem que o governo Cabral herdou uma máquina falida deixada por Garotinho (PR) e que o atual momento do Rio de Janeiro de investimentos pesados em infraestrutura e reconquista protagonismo nacional no cenário internacional se deve a parceria com Lula, Dilma e o PT. Assim foi a pauta da última campanha de 2010 quando o slogan que sintetizou bem este complexo de ideias foi: Estamos Juntos.

Desta forma, para cada ponto de convencimento que Pezão é bom gestor e que o estado do Rio de Janeiro vive um momento ímpar, Lindbergh crescerá junto. A presença do governo federal no Rio de Janeiro é significativa, o discurso está construído e tanto Lula quanto Dilma tiveram votações expressivas no Rio de Janeiro nas últimas eleições. Se o esforço de Pezão for neste sentido o de Lindbergh será naturalmente o mesmo, na hora certa, com os atores ideais e sem o ônus da gestão da máquina pública, rejeição de governo.

De quebra o discurso de Pezão ainda afetará a campanha do ex-governador e candidato do PR, Garotinho. O contraste para potencializar o que foi realizado no governo Cabral também beneficiará a campanha de Lindbergh. Os ataques pessoais de Garotinho a Cabral e os mais próximos do governo como foram estes últimos oito anos de oposição se acirrarão e serão potencializados pelo espaço nos meios de comunicação em tempos eleitorais.

Se o voto racional for neutralizado, a decisão do voto pela emoção dará uma vantagem a Lindbergh. Além de ser a tradição do petista é o ponto fraco de Pezão e dos demais candidatos. Carisma já foi o ponto forte de Garotinho, mas se perdeu ao longo da carreira pública. Marcelo Crivella (PRB) seria o diamante bruto a ser lapidado pela opinião pública, o antes sobrinho do Edir Macedo agora é um reconhecido líder evangélico que poderá testar novamente seu teto eleitoral. O ministro da pesca, chegando ao segundo turno, poderá contar com apoio tanto de PMDB quanto do PT e tornar sua vitória possível.

Os temas mais importantes de toda eleição geralmente são estes cinco mudando a ordem e um ou outro diante da conjuntura:

  • Saúde
  • Educação
  • Obras
  • Mobilidade
  • Segurança

 

Como podemos ver a seguir, os temas positivos do governo estadual foram todos viabilizados pela parceria com o governo federal que entrou com o dinheiro. As falhas de gestão e distribuição dos recursos ficam exclusivamente com o governo estadual, quem executa. E o governo federal, mesmo à distância, pode colher frutos separando apenas a parte boa destas ações.

 

Pontos positivos que devem ser tratados pelo governo:

Retomada econômica

Contraste com o governo Garotinho e parceria com governo federal.

Infraestrutura

Parceria com governo federal: PAC, Copa do Mundo e Olimpíadas.

Saúde

UPAs – Unidades de Pronto Atendimento são avanços reais consolidados pela opinião pública.

Segurança pública

UPPs – Unidades de Polícia Pacificadoras também são avanços reais consolidados pela opinião pública.

Transporte

BRT – Transporte Rápido por Ônibus também é sucesso onde funciona.

 

Pontos negativos que devem ser tratados pelos demais candidatos:

Investimentos

Não há como justificar um esforço de gasto de um bilhão no Maracanã com escolas e hospitais com estruturas longe do aceitável. Concentração de investimentos em infraestrutura nas regiões onde vão acontecer a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Acusações de relações de governantes com empreiteiros dominaram a pauta da imprensa durante parte considerável do governo.

Educação

Embora se tenha avanços do governo com as creches (EDI), a condução política no impasse com os professores marcou a administração Cabral. As escolas continuam com estruturas muito ruins e nada se avançou na UERJ.

Crises

Bombeiros, professores, polícia, manifestantes, empreiteiras, helicópteros, UPPs, OSs, teve escândalos de sobra no governo e a pergunta que até hoje está na cabeça de todos no Rio de Janeiro é: onde está o Amarildo?

Transporte

A infraestrutura do estado não acompanhou a retomada econômica que ele mesmo promoveu. Caos no trânsito, metrô, trem, barcas, aeroporto, ônibus, taxis, estradas não atendem a população do Rio de Janeiro.

Saúde

As UPAs são avanços, mas os hospitais continuam a necessitar investimentos.

Segurança pública

A concepção das UPPs animou o Rio de Janeiro. Mas os investimentos não acompanharam as necessidades de ampliação de atendimento desta política nas comunidades. A impressão em muitas comunidades é que só chegou a repressão da polícia e os serviços públicos prometidos não chegaram, não chegou a promoção da cidadania nestes territórios.

Consequentemente o desmonte do crime organizado nestes territórios levou os marginais para outras localidades desconcentrando as atividades destes grupos da região metropolitana e interiorizando a violência. Muitas cidades antes pacatas agora têm a violência no seu cotidiano.

Polícia

Os avanços culturais da polícia são significativos, mas o secretário da pasta não teve todo recurso necessário para fazer uma transformação. É grande a quantidade de denúncias contra policiais em abuso de poder e atividades ilícitas dentro das áreas pacificadas e o despreparo da corporação para lidar com as manifestações são os mais evidentes questionamentos da população sobre a polícia.

Maracanã

É fato que o governo do estado não gastou diretamente um bilhão de reais no Maracanã, mas gastou indiretamente. O Maracanã é o estádio mais importante do país e da Copa do Mundo, mas como será interpretado pela população o estado gastar todo este recurso num estádio onde a seleção brasileira só jogará caso chegue à final. Se isso não acontecer poderá influenciar muito nas eleições lembrando que as manifestações ganharam força a partir de protestos contra a forma de investimentos feitos nos estádios em todo Brasil durante a Copa das Confederações. E como torcedor nem quero imaginar se o Brasil chegar a uma final contra a Argentina e perder. Isola!

Manifestações

Outro fator que poderá contar muito negativamente para todo processo político. Um pouco mais para quem está no poder, daí Pezão também sai com um saldo um pouco pior que os demais candidatos. Emergiu nas manifestações uma unanimidade em quase todos os estados do Brasil: “Fora Cabral”. Um fenômeno de rejeição.

Sobre Juliano Sebastian

Consultor político, graduado em Comunicação Social e pós-graduado em História e Ciências Sociais. Gosto muito de samba, NFL, futebol, tecnologia e artes.