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Eleições 2014 Rio de Janeiro: presença digital dos candidatos ao governo

É sempre ruim falar mal de alguma coisa. Há quem diga que se não puder falar bem de algo ou alguém, não fale. Mas como evitar isso quando nos propomos a analisar a presença digital dos candidatos ao governo do estado do Rio de Janeiro nas eleições 2014? Vou me dar ao luxo de deixar o monitoramento fora da análise e relevar apenas posicionamento, relacionamento e conteúdo. Desculpem, mas a caixa de ferramenta está aberta.

Vou começar com um elogio, as equipes de relacionamento, mesmo que de forma conservadora, atuaram muito bem até aqui com as exceções que veremos na análise. Achei desnecessário isolar a análise sobre conteúdo e a integrei nos demais pontos.

Pude perceber que há um paradigma quanto ao conteúdo dos sites. Independente da estratégia, vamos poder verificar mais a frente se há alguma, todos eles partem das seguintes seções: imprensa, links para redes sociais, programa eleitoral em destaque, biografia, notícias, agenda e propostas.

 

Design

Eu achei os melhores os sites do Pezão, Garotinho e Tarcísio. Embora tenha pecado pelo excesso de conteúdo, Pezão fez algumas escolhas muito interessantes para disponibilizar este conteúdo com muita qualidade de foto e artes. Enquanto Garotinho usou todos os recursos que sua equipe tem para simplificar ao máximo seu conteúdo e não oferecer mais do que o internauta solicita. O site do Tarcísio tem a melhor distribuição. Cobertura de campanha, apoios e ferramentas do site se acomodam de forma harmônica.

Já achei difícil a navegação no site de Crivela e o design não ajudou a comunicar ficando bastante aquém de uma candidatura ao governo do estado de um cara da envergadura política de Marcelo Crivella. Lindberg apresentou um trabalho que beira o amadorismo, um site com layout comprometedor, frio, desconexo e não são os únicos pontos negativos da presença digital de Lindberg. Para quem acreditava que se comunicar com a juventude seria o grande segredo desta eleição e que por isso teria ter grande vantagem, deve estar bastante frustrado com o resultado do que está oferecendo pela Internet.

 

Nominata, vice e senador

Pezão não dispõe sua nominata proporcional, qualquer informação sobre seu senador e seu vice no seu site. Garotinho possui um link para os proporcionais que não funciona e oferece informações sobre seu vice e sua candidata ao senado. No site de Crivella não tem nominata e senador, mas tem o vice, assim como o de Lindberg. E Tarcísio apresenta em boa proporção o seu vice, mas não há qualquer informação sobre senador e proporcionais.

 

Propostas

Pezão tem propostas fechadas. Sem participação ou referência de como se construiu o conjunto de propostas. Tem indícios que foi construído a partir de marketing político, diagnóstico do que a população mais anseia, hierarquização e proximidade com os temas.

Tarcísio não tem propostas elaboradas, mas tem um bom sistema que promove a participação que inclui redes sociais, criação de comitês de campanha, informações sobre adesivação de carros e distribuição de adesivos, envio de fotos e vídeos de apoio e tem uma opção de enviar mensagens a partir dos contatos do seu e-mail.

Garotinho apresenta um plano construído, mas diz que está em construção com a sociedade. Não tem ferramenta de participação além do envio de vídeo com mensagem de apoio.

Crivella tem propostas resumidas a um parágrafo divididas por regiões do estado. Não tem ferramenta de participação e nem tem referências sobre a construção destas propostas.

Lindberg tem uma ferramenta chamada Rio Participativo dividida nas seções: blog, programa e bate papo. O blog não tem nenhuma atualização desde 20 de maio, noticiava fatos que destacavam a importância da participação. O bate papo tem apenas a memória de um “hangout” sobre o “Marco Civil” da Internet.

A plataforma possibilita a construção de um plano de governo através da participação, porém a complexidade de uma construção coletiva nestas bases e a mediação ineficiente resulta uma participação estéril. Não envolve a sociedade como um todo e exclui quem se interessa, arrisco dizer que a ferramenta tem efeito exatamente contrário ao seu objetivo por se restringir a instrumentalizar uma elite política aprofundando ainda mais o déficit democrático.

O petista não tem plataforma de proposta, apenas esta ferramenta que produz pontos de propostas como este, equivocado, genérico e superficial, por exemplo:

Crianças e adolescentes protegidos

Todos merecem proteção, mas as crianças e os adolescentes precisam de uma proteção integral desde o nascimento até a maioridade. As políticas públicas no estado do Rio de Janeiro voltadas para a infância e juventude apresentam problemas estruturais porque o tema não é enfrentado com efetividade.

Além de genérica, a proposta é equivocada. A proteção integral nos Direitos da Criança e do Adolescente é assegurar de forma integrada os direitos à vida, saúde, alimentação, educação, lazer, profissionalização, cultura, dignidade, respeito, liberdade e convivência familiar e comunitária. Preconiza a criança e o adolescente como prioridade absoluta de todos e principalmente do Estado que é responsável por livrá-las e combater toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão conforme o artigo 227 da Constituição Federal.

 

Multimídia

No geral, os candidatos não utilizaram os recursos multimídia de forma inventiva, criativa ou que causasse alguma surpresa. A sensação de mais do mesmo é inevitável ao analisar este ponto.

 

Mobilização

Os sites num geral parecem que não foram feitos para mobilizar e engajar. Fizeram um feijão com arroz para meramente comunicar. Não transformaram site, redes sociais e apps em arena de disputa política. A presença digital dos candidatos refletem meramente suas ações no campo real, subutilizando e deixando o espaço virtual apenas como uma grande promessa, fora de disputa.

 

Diferencial

Nenhuma campanha conseguiu organizar um trabalho através da febre Whatsapp. O único que experimentou foi Pezão. Curioso, até tentei ver como funciona, mas depois de adicionar o número da campanha, 24h depois perguntaram meu nome e de onde eu era e nunca mais chegou qualquer mensagem.

O mobile não é tendência apenas para as campanhas eleitorais, mas para todas as ações digitais em 2014. Por isso contava-se que as eleições surpreenderiam, até mesmo inspiradas pelo case de Obama que está bastante massificado nos bastidores da política. Práticas lamentáveis de envio indevido (spam) de SMS e Whatsapp alimentaram ainda mais a antipatia da população sobre a política e os candidatos que fizeram uso destas ferramentas de maneira equivocada.

Olhei todos os apps disponibilizados pelos candidatos. Tive que descobrir porque nenhum candidato divulga o app nos seus sites. Pezão e Tarcísio sequer possuem app. Lindberg resumiu seu app #SOMOSLIND a autorização de publicação nas redes sociais de conteúdo de campanha. Crivella foi conservador e apenas integrou o conteúdo do site. E Garotinho é a iniciativa menos pior. Ele faz o que todos os demais fazem com maior qualidade e ainda transformou seu app em ferramenta de participação.

 

Redes sociais

É fato que as redes sociais amadureceram de tal forma que as relações utilitaristas pelos políticos não são bem aceitas, raros são os casos. Além de Garotinho que mantém um blog de intensa atividade por muitos anos e que tem reflexos nas suas redes sociais, ele não tem um uso diferenciado ou uma estratégia de presença digital que chegasse a construir uma identidade nas redes sociais, nenhum outro candidato chegou a estas eleições com um planejamento de presença digital em curso.

Muitos sacaram ideias que serão estudadas por muitos anos como Crivella que tem uma atuação no Facebook como uma fonte de mensagens de auto-ajuda com engajamento digital formidável, mas que não o leva a resultados objetivos, pelo menos que eu pude mensurar. No máximo dá para tentar acreditar que ele massificou seu nome como candidato a governador através de “mensagens positivas” com grande circulação por esta rede social. Vale a pena destacar o belo trabalho de community manager da campanha de Lindberg no Facebook, acompanho e gosto muito.

O Instagram é uma rede que também era promissora por ter um público bem definido, mas todas as experiências analisadas nenhuma mereceu algum destaque positivo. YouTube se manteve subutilizado e o Twitter, coitado, mero reprodutor de conteúdo vindo de outras redes sociais ou dos sites dos candidatos. Nada mereceu destaque aqui, nem mesmo a participação nos debates da TV que sempre mobilizam os tuiteiros.

Pezão http://www.pezao15.com.br
Lindberg http://lindberg13governador.com.br
Garotinho http://tvpovo.com.br
Crivella http://crivella10.com.br/#crivella10
Tarcísio http://tarcisio50.com.br

Sobre Juliano Sebastian

Consultor político, graduado em Comunicação Social e pós-graduado em História e Ciências Sociais. Gosto muito de samba, NFL, futebol, tecnologia e artes.