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Causos Políticos – Os três mosqueteiros da Constituição

Marco Maciel, Guilherme Palmeira e Jorge Bornhausen, senadores do PDS, começaram a reunir-se, em 1984, para organizar a Frente Liberal, uma dissidência do PDS destinada a apoiar a candidatura de Tancredo Neves a presidente da República, contra Paulo Maluf.

Aureliano Chaves, vice-presidente de Figueiredo, logo assumiu a liderança do grupo. Um dia, marcaram uma reunião com Ulisses Guimarães para discutirem a formação da Ação Democrática, a aliança do PMDB com a Frente Liberal. Quando Ulisses chegou, viu que Aureliano tinha levado um gravador e posto sobre a mesa, ligado. O Juruna mineiro.

Mais no fim do ano, antes de o Colégio Eleitoral reunir-se em janeiro, a Frente Liberal, já formada, fez uma reunião para acertar quem iriam propor a Tancredo para vice e quais ministérios iriam reivindicar.

 

SARNEY

Marco Maciel, o primeiro sugerido, dizia que não queria ser vice. Não convencia muito. Sarney, o segundo, também dizia,mas não convencia nada. Resolveram tratar antes dos ministérios. Marco Maciel propôs pedirem primeiro o da Educação. Sarney foi contra. Era “um abacaxi, cheio de armadilhas, professores reivindicando e estudantes fazendo greves”. Preferia o da Previdência, que “tinha recursos e bandeiras sociais”.

Marco não concordava De repente, Sarney saiu para o banheiro. Palmeira foi atrás. Sarney fazia xixi, Palmeira, na porta, catequizava:

-Sarney, o Marco quer a Educação. É a maneira de você ser o vice.

Sarney voltou rápido e defendeu o ministério da Educação. Para Marco Maciel. E a vice caiu sobre a cabeça de Sarney como uma tonsura. Sarney saiu para vice, Marco Maciel para a Educação e Aureliano para Minas e Energia. Sarney foi feito vice-presidente em um xixi do PFL.

TANCREDO

O primeiro  compromisso de Tancredo era convocar a Constituinte. Tancredo morreu,  Sarney tentou a todo custo impedir. Os caminhos da Historia são abertos pelas lutas políticas. Mas eles precisam ser construídos pela verdade. A mentira é um engenheiro infame. Os 25 anos da Constituição de 1988 continuam sendo comemorados e o país assiste a uma plataforma de mentiras. Até a “Globo”, no começo contra, virou dona.

No Congresso, uma sessão solene foi comandada por Sarney, Lula e Nelson Jobim.Três aberrantes fraudes.Sarney só não impediu a Constituinte porque não conseguiu.  Dizia que ela “tornaria  o pais ingovernável”. Lula nem assinou a nova Constituição (mais tarde é que o PT assinou). E Jobim confessou que, na comissão de redação, fraudou o texto final, enxertando  item não aprovado no Plenário (para favorecer os juros dos banqueiros).

Três mosqueteiros comandando as celebrações. E os que realmente a construíram quase esquecidos: o presidente Ulysses, o relator Bernardo Cabral, o líder  Mario Covas, o secretário-geral Marcelo Cordeiro, tantos.

ULYSSES

O economista Helio Duque, ex-deputado e dos mais atuantes vice-líderes da Constituinte (viu aprovadas numerosas emendas suas), protesta:

  1. “Agora, ao completar 25 anos, a Constituição elaborada pela Assembleia Nacional Constituinte é festejada em clima de quase unanimidade. Quando da sua promulgação, em 5 de outubro de 1988, o clima era outro. Os constituintes eram acusados de terem elaborado um texto constitucional que faria do Brasil um pais ingovernável. A campanha de setores organizados e de amplas áreas da imprensa, contra Ulysses e os parlamentares mais ativos na defesa dos direitos fundamentais da cidadania, tinha no Palácio do Planalto a sua base de irradiação”.
  2. “Em 1989, candidato à presidência, Ulysses Guimarães obteve 4% da votação nacional. E em 1990, candidato à reeleição de deputado federal, teve pouco mais de 38 mil votos, sendo o último eleito por São Paulo, na legenda do PMDB. Na eleição de 1986, o deputado Ulysses Guimarães obtivera 531 mil votos e na seguinte quase não foi eleito”.
  3. “Era o reflexo da sórdida campanha contra os  constituintes mais atuantes, que inundou todos os quadrantes do território nacional. Mais de uma centena de homens públicos, com vocação de servir à sociedade, desistiram de continuar na atividade política, diante do rolo compressor da infâmia desmoralizante que ganhou dinamismo ensurdecedor e se estende aos dias de hoje, quando, a cada eleição, é reduzida a participação de vocações públicas comprometidas em servir e não servir-se do poder”.
O jornalista e escritor Sebastião Nery é baiano, pai de três filhos e conta décadas de histórias de bastidores da política brasileira. Confira mais sobre Sebastião Nery em: www.sebastiaonery.com.br

Sobre Juliano Sebastian

Consultor político, graduado em Comunicação Social e pós-graduado em História e Ciências Sociais. Gosto muito de samba, NFL, futebol, tecnologia e artes.