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Análise da Propaganda Partidária Gratuita (PPG) PT – Maio/2015

Partido dos Trabalhadores (PT)

→Presidente: Rui Falcão

Dia de veiculação: dia 05 de abril de 2015.

O PT seguiu nos últimos anos um roteiro básico nos seus programas nacionais de PPG. Destacaram no período do primeiro governo Dilma (2011-2014), a partir dos êxitos do governo federal, como funciona o petismo em toda parte do Brasil. O petismo seria uma espécie de atalho cognitivo que reúne as três premissas que reformaram o PT antes de vencer as eleições presidenciais em 2002: combate às desigualdades sociais e à fome, busca pela autonomia política e econômica num contexto internacional e fortalecimento da democracia representativa participativa (SEBASTIAN, 2015).

Dito isto, neste programa nacional o PT tem um conjunto de desafios novos tais como a) a menor aprovação do governo federal em mais de 12 anos no poder; b) a quarta eleição seguida vencida pelo PT em 2014 foi a de menor diferença; c) arrefecimento da economia afetando postos de trabalho e orçamentos públicos; d) aprofundamento das investigações sobre corrupções em muitas instituições públicas e privadas; e) perda de boa parte da cooperação das casas legislativas; f) avanço da agenda conservadora em toda parte; e g) crise institucional do PT.

A estratégia do discurso do PT neste programa não é nova e segue insistindo/investindo no inimigo único. Não há dúvida sobre o brilhantismo e eficácia do discurso de comparação e contraste com o qual o PT venceu três eleições (2006, 2010 e 2014). Porém, para seu efeito se reduz a cada dia que passa que distancia o hoje dos governos tucanos. Neste PPG conseguimos identificar um aumento dos esforços de remontar o passado, de dar vida atual a este inimigo único de muitos anos atrás.

A artificialidade deste programa do PT não fica restrita ao seu inimigo, mas às vozes populares. O PT tenta remontar também a opinião pública como se a agenda pública que o levou ao poder e o manteve até agora ainda permanecesse sem alterações. O PT que reformou seus objetivos vocalizando a opinião pública no passado, hoje oferece uma falsa representação dos interesses populares, um esforço arrogante de dizer que as suas bandeiras atuais são os interesses populares saibam ou não. Com mãos e cartazes de estúdio começa o primeiro programa nacional do PT após as eleições de 2014 e em meio a uma centrífuga que chacoalha a cada momento um tema diferente e que abala sistematicamente a legitimidade política do governo federal sobre o qual o petismo se debruçou por todos estes anos.

O PT usa o programa para emitir o discurso a ser coordenado (agendamento) pelos partidários, simpatizantes, aliados e afins. Em tempo, suspeito que esta é uma das principais funções dos programas nacionais PPGs. Lula é o enviado para falar sobre direitos trabalhistas, as “medidas necessárias” (agenda do governo) e para onde e o quê se deve voltar às atenções: terceirização (proposta da câmara federal).

Os principais temas foram trabalho, economia, corrupção, educação, moradia, infraestrutura e a agenda das casas legislativas como “terceirização”, “redução da maioridade penal” e “reforma política”. Todas as narrativas induzem o espectador ao contraste, não só reavivando o inimigo único, mas reivindicando a diferença sobre as suas agendas políticas e as outras que estão achatadas na opinião pública sobre a política com enorme contribuição dos meios de comunicação de massa, o que não chega a ser nenhuma novidade.

 Este programa nacional do PT estava deferido para o mês de fevereiro no primeiro semestre. Porém o partido conseguiu transferir a veiculação para maio.

Sobre a economia, por exemplo, o discurso é que o Brasil sofre danos colaterais de uma economia globalizada, mas que estes governos do PT construíram bases sólidas para enfrentar esta crise que é passageira. É um discurso facilmente identificado em outras oportunidades posteriores, como a entrevista concedida ao Jô Soares em junho de 2015.

As tentativas de remontagem do passado são inúmeras e contraditórias. Há um equívoco na materialização desse passado a partir da seleção de manchetes de jornais usadas para construir uma narrativa negativa do passado. Em outros momentos deste programa a imprensa é questionada sobre seus interesses estarem em oposição aos do Brasil, do PT etc. Não considero que tenha sido descuido, mas difícil entender o propósito desta escolha.

Os apresentadores do programa são dois jovens que fazem a prestação de contas do governo nestes 13 anos e apontam para as novidades. Apenas Lula e Rui Falcão (presidente do PT), como figuras públicas, participam. O recurso do crédito é usado à exaustão, mas a marca do partido só no final do programa quando o partido convida todos para o seu 5º Congresso a ser realizado em Salvador, em junho de 2015. O ataque a adversários é usado em todo contexto deste programa pela construção por contraste do inimigo único.

 PROBLEMA

Dilma não aparece no programa em momento algum. 

   Funções deste PPG: Ênfase no partido, ataque e temáticas.

   Temas deste PPG: accountability, economia e corrupção. 


Funções básicas de PPG

[1] ênfases no partido; [2] debate de temática específica; [3] ênfase em mandatos/mandatários; [4] ataque; e [5] pré-campanha eleitoral. 



Referência

SEBASTIAN, Juliano. PROPAGANDA PARTIDÁRIA GRATUITA (PPG) NO GOVERNO DILMA: sistema político, accountability, partidarismo, legitimidade. Compolítica, 2015.

 

Sobre Juliano Sebastian

Consultor político, graduado em Comunicação Social e pós-graduado em História e Ciências Sociais. Gosto muito de samba, NFL, futebol, tecnologia e artes.