fbpx
Inicial / Propaganda Partidária / Análise da Propaganda Partidária Gratuita (PPG) PSDB – Maio/2015

Análise da Propaganda Partidária Gratuita (PPG) PSDB – Maio/2015

Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB)

→Presidente: Aécio Neves

Dia de veiculação: dia 19 de maio de 2015.

O PSDB segue a mesma estratégia discursiva do PT (que veiculou seu PPG este mês de maio) que se debruça sobre o inimigo único (PT), comparação (promessas de campanha e realidade) e contraste (PSDB ao lado do povo contra a mentira). O PSDB é muito mais feliz ao remontar o passado na representação das eleições de 2014. Tudo bem, a missão dos tucanos é mais fácil do que a dos petistas que precisaram voltar mais de dez, vinte anos atrás. É proibido usar imagens de adversários em propagandas políticas, ao colocar recortes audiovisuais da própria Dilma como se estivesse sendo filmada por um espectador o partido que perdeu as últimas quatro eleições presidenciais para o PT assumiu o risco de pagar o ônus para remontar este passado recente da maneira mais eficaz que conseguiu encontrar.

Os ataques são desferidos no desenvolvimento dos temas que são alocados durante os dez minutos de programa como blocos e o acabamento desses são os slogans como “oposição a favor do pais”, “contra um governo que é a favor de um partido” e “oposição não é dizer não a tudo, é lutar para defender um país”.

Os temas abordados eram os esperados sob a regência dos argumentos já massificados pelos meios de comunicação. Corrupção, economia, caráter/personalidade da presidente, justiça e mudança. A estratégia é boa ao passo que contaminou toda opinião pública contundentemente. Qualquer caso de aparente corrupção ou mau uso do poder investido pela democracia está caindo na conta da Dilma e do PT. Tanto faz se é na CBF, Fifa, Petrobras ou Câmara, a culpa para os eleitores/espectadores é do PT e da Dilma.

A dupla corrupção e justiça andam juntos na narrativa. Ao passo que se deixa em aberto a idoneidade da presidente diante de tantas denúncias de corrupção, levanta-se a possibilidade da presidente e dos seus partidários, investidos do poder da presidência, obstruírem os caminhos da independência do poder judiciário. E a outra dupla temática, economia e caráter, caminham no sentido que a presidente mentiu sobre o cenário econômico do país que é de estagnação em razão dos erros do governo do PT. O que o governo federal chama de “medidas necessárias” a oposição chama de “estelionato eleitoral”, tudo é a disputa do sentido sobre alguns ajustes assinados por um homem de mercado, Joaquim Levy, Ministro da Economia. E assim seguem as disputas por tudo mais. Resumindo, o PSDB luta para mostrar que o PT acabou com o país (inflação, desemprego, falta de investimento, corrupção, estagnação) e o PT luta para dizer que o país se encontrou quando chegou ao poder (acabou com a fome, aumentou o poder de compra e os empregos, infraestrutura, conquistas sociais, investigação, independência internacional).

FHC tem 45 segundos que investe não apenas no ataque à Dilma e ao PT, mas mira em Lula e coloca que as bases de todo esse cenário horripilante atual foram construídas desde 2003. Quanto pior for a compreensão do Brasil atual melhor para os tucanos por aumentar o contraste. O ex-presidente fala em “reerguer o Brasil” que foi destruído basicamente pela “roubalheira” durante os governo do PT.

“O país foi iludido com sonhos de grandeza” (grifo meu).

A base do discurso final é construída sobre a afirmação de que Dilma mentiu nas eleições e mente atualmente, tudo para se manter no poder. O PT acabou com o país e quer que o povo pague a conta. Um discurso populista idêntico ao empregado por outros partidos nos seus PPGs. Mas ao final deste programa vamos conseguir identificar que este é um discurso propagandístico coordenado entre os demais partidos e o PSDB consolidando suas posições como partidos aliados de uma possível vitória de Aécio Neves nas próximas eleições.

Carlos Sampaio, líder do partido na Câmara, e o líder do partido no Senado, Cássio Lima Cunha, são os únicos políticos para além de FHC e Aécio. Nenhum deles presta contas da atuação do partido nas casas legislativas o que leva ao entendimento que estas aparições são meras concessões políticas.

O problema que persegue o PSDB nas últimas eleições segue sem solução, contradição argumentativa. Tenta se conectar com as camadas mais pobres e mais ricas tudo ao mesmo tempo. Aécio foi pré-candidato um longo tempo, candidato e já é pré-candidato à presidência e até o momento não se pronunciou se é contra ou a favor do Bolsa Família, por exemplo. O PSDB critica as ações que fortalecem as musculaturas do Estado e as ações mais liberais do governo do PT. Consideremos que a política é uma ciência complexa, se adicionarmos fatores que geram de dualidade ao discurso político o produto final certamente visa a melhor compreensão pelos cidadãos.

O governo corta cafezinho, empresas cortam empregos.

Governo corta fotocópias, famílias reduzem seus alimentos.

Aécio Neves fala sozinho durante 30% do programa ininterruptamente. Resenhando, ele personifica o sentimento de revolta da população com a injustiça, roubo, mentira, destruição como um todo do Brasil e quer devolver à população a possibilidade de voltar a sonhar como antes com um futuro melhor contrariando FHC.

Vilão: Dilma, Lula e PT.

Vítima: população.

Herói: Aécio Neves.

Este programa nacional marca a transição da imagem de Aécio Neves de líder charme a herói. Embora elas possam se complementar, a imagem a ser trabalhada daqui pra frente é a de herói. Uma aposta arriscada que descarta a história das crises do capitalismo.

 PROBLEMAS

Não há qualquer participação feminina no programa conforme prescreve a legislação vigente.

Nenhuma menção às manifestações deste ano evidenciando problemas políticos com a articulação da coordenação das manifestações.

Nenhuma menção ou agradecimento ao Estado de São Paulo tão pouco ao governador Geraldo Alkmim, deixando margem à interpretação de que há problemas internos no partido.

   Funções deste PPG: ataque, pré-campanha e temático.

   Temas deste PPG: corrupção, economia e justiça. 


Funções básicas de PPG

[1] ênfases no partido; [2] debate de temática específica; [3] ênfase em mandatos/mandatários; [4] ataque; e [5] pré-campanha eleitoral. 

 

Sobre Juliano Sebastian

Consultor político, graduado em Comunicação Social e pós-graduado em História e Ciências Sociais. Gosto muito de samba, NFL, futebol, tecnologia e artes.