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Análise da Propaganda Partidária Gratuita (PPG) PSB – Outubro/2013

Eduardo Campos

PSB – Partido Socialista Brasileiro

Rede Sustentabilidade

Marina Silva

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Partido Socialista Brasileiro e Rede Sustentabilidade

Presidente: Eduardo Campos

Estatuto PSB

Dia da veiculação: dia 10 de outubro de 2013

Duração: 10 minutos

 

Funções do PPG

Este PPG do PSB tem todas as funções de PPG com a função de pré-campanha mais destacada que as demais. Ênfases no Partido, debates, ataques e mandatos e mandatários foram para a TV reforçando a função de pré-campanha. As contradições nos discursos foram tônicas que inviabilizaram um PPG objetivo. No final se evidenciou a indecisão do partido neste momento e que a partir da chegada de Marina isto teria chegado ao fim. Vamos aguardar o próximo PPG do PSB que promete mudanças na conjuntura nacional para as eleições 2014.

Funções básicas do PPG

[1] ênfases no partido; [2] debate de temática específica; [3] ênfase em mandatos/mandatários; [4] ataque; e [5] pré-campanha eleitoral.

Sobre tudo, o que se identifica claramente é que o programa do PSB não contava com a mudança de rumos do partido a partir da aliança com Marina. O PSB apresentou um programa com sua base de argumentação a partir de que o Brasil avançou através de um projeto progressista liderado por Lula, porém já com Dilma a representatividade deste projeto não tem unidade e há possibilidades de outras pessoas liderarem este projeto.

O território de disputa escolhido pelos socialistas foi o interno. O PSB fez parte deste projeto enquanto ele foi legítimo, depois investiu acreditando que Dilma encontraria os melhores rumos, mas diante da inviabilidade com Dilma Eduardo Campos se propõe a retomá-lo.

Este discurso dá conta exclusivamente do momento pré-Marina quando Eduardo defendia este discurso afirmando inclusive que se Lula não fosse candidato iria até o final com sua candidatura. Agora com Marina, com ou sem Lula na disputa, Eduardo vai até o final já que Marina ao se propor a esta aliança tenha pedido algumas garantias para 2014, como esta.

Já no programa, Eduardo destaca os avanços econômicos dos tempos de Lula e que agora estes avanços estão em risco por causa da dúvida sobre o controle da inflação, reforçando o argumento de toda oposição ao governo já vistos nos programas do DEM, PSDB e PPS.

Eduardo coloca em cheque a natural contradição entre os perfis de administrador e homem comum entre Dilma e Lula. O governo Dilma não alcançou o que se propôs, um governo de gestão técnica, realizador em vez de um governo político, que perdia tempo e recursos em superficialidades do jogo político. De fato, não está comunicado grandes avanços no governo Dilma como se teve no governo Lula. A oposição interna deste projeto em curso desde 2002 identificou esta fragilidade e ataca exatamente isto.

Eduardo Campos pratica um texto de linguagem complexa e incompatível com o público. Direção e texto ruins somado a um cenário duvidoso evidenciaram a dificuldade de traduzir em de forma simples e objetiva esta base argumentativa. Parece que se encontrou o ponto fraco do governo, mas ainda não se tem outras sugestões.

O tempo é curto e assim como o PSDB, o PSB também acusa a sua posição desfavorável no jogo de 2014. Não tem a tranquilidade necessária para cumprir esta etapa do planejamento de comunicação política, seja ela qual for, e não aproveita a oportunidade de iniciar uma construção de um cenário melhor do que o atual.

Não se tem certeza se Eduardo fala para os mais simples ou para a classe média. O discurso da oposição contra os programas sociais do governo do PT é utilizado de forma sofisticada o suficiente para que fique evidente apenas para a classe empresarial e política.

Em outro ponto do seu PPG, Campos recorta o progresso do Brasil nos últimos 30 anos contrariando a base do seu discurso que está pondo em disputa quem vai liderar este projeto em curso desde 2002. A nova contradição da base argumentativa tem 30 anos pregressos. O Brasil estava em plena ditadura, 1983. Que tipo de avanço merece ser destacado deste período sombrio do Brasil? Somar todos os atores que contribuíram nestes últimos 30 anos? Militares? Sociais-democratas, liberais e democratas? Privatizações? Aqui está a contradição ao núcleo do argumento do programa do PSB. Aqui fica evidente que antes de Marina, o PSB não havia encontrado seu programa, muito menos seus principais argumentos em busca da presidência em 2014.

Contrastes na educação e no trabalho são colocados como problemas atuais que precisam ser enfrentados urgentemente sem colocar a culpa no passado, mas passado antes de 30 anos ou passado antes do governo do PT? A contradição é aprofundada e desfavorece uma lógica na razão deste discurso e se esvazia.

Ufanismo a partir das características do brasileiro, seja lá o que isso for, somados a uma proposta genérica de “projeto de desenvolvimento” coloca o PSB numa clara iniciativa também de se colocar no espaço catch-all, de centro, pasteurizando todos os posicionamentos evidenciando a falta de rumo do partido.

Na questão da saúde um dado informal que afirma que as esperas aumentam a cada dia embora seja o contrário. Isto não quer dizer que a saúde é boa, muito pelo contrário, mas que o discurso está mal formulado, a espera diminuiu, a oferta do serviço aumentou, mas ainda se encontram absurdos como esperar um ano por uma cirurgia ou morrer na enfermaria de um hospital público esperando um médico ou remédio são fatos comuns na saúde pública do Brasil e que aproximariam o discurso de Campos com a realidade.

Menções tímidas de apoio ao Mais Médicos e às manifestações ocorridas em todo Brasil. Para o PSB, o discurso de enfrentamento ao elitismo democrático (participação popular na democracia para além da escolha eleitoral), crise na maioria das democracias que chegam a envelhecer, tem destaque mas sem qualquer apontamento objetivo para além da que se vem investindo neste governo do PT, democracia participativa.

Excelentes personagens para tocar no assunto segurança pública nas capitais brasileiras. Resultados do seu governo para uma a capital Recife, uma das mais violentas do Brasil, mas não fica claro para o espectador suas propostas e seus resultados na capital pernambucana.

A imagem de gestor e líder charme são bem delineadas.

Luiza Erundina contribui reconhecendo que o PSB tem todos os defeitos comum a todos os partidos e o que o diferencia é este reconhecimento e a atenção que tem com este fato.

Destaca sua popularidade através do prefeito melhor avaliado no Brasil Márcio Lacerda e do governador também de melhor avaliação Eduardo Campos. Os seus resultados nas capitais brasileiras, o maior crescimento dentre todos os partidos nas últimas eleições de 2012.

O final do programa foi alterado para comunicar em rede nacional a aliança entre Campos e Marina. O argumento é melhor elaborado a partir de uma aliança programática entre PSB e a Rede. Atacam uma falsa polarização entre PT e PSDB que tem como finalidade desmonopolizar a oposição restrita aos tucanos desde que saíram do poder em 2002. E investem num discurso emotivo que dá conta dos anseios de todos os brasileiros insatisfeitos com a política. Esta nova aliança será capaz de promover “uma nova política”. Seja lá o que isso for, funciona enquanto comunicação política. Tem sintonia com as expectativas do espectador.

O que se pode afirmar com toda certeza deste programa é que ele não valeu. Tudo será recriado a partir da aliança com Marina e parece que as contradições, de certa forma desnecessárias, não serão mais possíveis. Cabe agora discutir se haverá tempo para tanto trabalho a fazer.

Erro

A propaganda do PSB estrelada em rede nacional nesta semana pelo governador e presidenciável Eduardo Campos (PE) usa imagens de uma faculdade privada no Recife como se fosse uma escola pública da rede estadual. Apesar de Pernambuco ter 1.089 escolas estaduais, o cenário escolhido para o programa foi a faculdade Maurício de Nassau, do empresário paraibano Janguiê Diniz. Fonte: fb.me/15T7aWF5G

Sobre Juliano Sebastian

Consultor político, graduado em Comunicação Social e pós-graduado em História e Ciências Sociais. Gosto muito de samba, NFL, futebol, tecnologia e artes.