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A eleição dos antagônicos

Como um cidadão macaense, sinto que uma grande oportunidade de disputa saudável pela prefeitura da minha cidade tenha se perdido. Pela trajetória desta disputa, já apontada nos artigos anteriores, assim não vejo uma discussão de ideias saudável para a população. São caminhos antagônicos, que não convergem sequer na forma de disputa. O que todo macaense gostaria de ver em 2012 era uma eleição pautada apenas na discussão de propostas para uma cidade que enfrenta os problemas do desenvolvimento. Cada um dos candidatos enfrentou seus desafios de campanha e agora não há mais tempo.

Em todo lugar do Brasil candidatura de máquina é igual, é preciso dar unidade a máquina e dependendo do cenário eleitoral buscar fora o número para completar e ganhar a eleição. Este complemento pode ser reduzido com o que chamamos de balão de ensaio, candidatos lançados pela máquina para diminuir os votos em disputa. Em Macaé observa-se que sequer esta regra básica foi seguida e se investiu num modelo de plebiscito “sim” e “não” onde a força da máquina deveria ser a tônica. O bônus desta medida é que se unifica a máquina com maior velocidade e o ônus é o estrago que esta força provoca.

Candidatos convergentes em imagem, mas com campanhas divergentes em valores. Um candidato se posiciona pela força, através de boatos, terrorismo, tentativa de exercício do poder pelo poder, contra um candidato de oposição, num primeiro momento, que depois se moldou à coalizão naturalmente pelos movimentos das forças políticas da cidade, pela organicidade do projeto. Este está promovendo a participação popular na construção e aprimoramento do seu dinâmico plano de governo colocando em segundo plano a discussão pelos espaços de poder em caso de vitória.

As equipes de coordenação de campanha também estão em momentos antagônicos. Um candidato com discurso em construção faltando menos de duas semanas para a eleição e outro com discurso consolidado, um caminhando pelos bairros tentando demonstrar força e que ainda pode reverter a diferença abrupta, com o outro caminhando pelos bairros da cidade chamando a população para a responsabilidade do desafio que será governar Macaé, um usa o modelo de campanha “fez, faz e vai fazer muito mais” enquanto o outro afirma o compromisso de que terá coragem para mudar os rumos da cidade.

A insistência de confronto por um dos candidatos não se justifica quando o foco do seu adversário é o envolvimento da população. Uma campanha de propostas e envolvimento e não uma disputa entre pessoas. Estabelecer uma disputa entre pessoas pode se reverter o quadro maior velocidade assim como o uso da TV, mas não faz parte dos planos do adversário que trabalhou quatro anos para fazer uma campanha saudável, como a população sempre desejou.

Ainda sobre a TV, há outros boatos orbitando estas eleições e todos com finalidade de estabelecer o confronto direto entre os candidatos além de inflacionar estas eleições. São iniciativas artificialmente fomentadas que dão conta apenas de contemplar o sentimento das militâncias já posicionadas e não agrega qualquer qualidade ou quantidade a disputa. Quantidades falaciosas de carreatas e caminhadas, perfis “fakes” na Internet, supostas malas de dinheiro, perseguições a quem não adere este projeto controverso só pode levar a um resultado, o já apontado pelas pesquisas. Um amigo uma vez me disse: “até para perder se deve ter uma estratégia”.

Sobre Juliano Sebastian

Consultor político, graduado em Comunicação Social e pós-graduado em História e Ciências Sociais. Gosto muito de samba, NFL, futebol, tecnologia e artes.